Comentário do leitor

Com base nas últimas acções do governo das Ilhas de Maurício contra a empresa gestora dos Fundos do Fundo Soberano de Angola, fica a menagem clara de que o governo de Angola está a tentar repatriar os 5 mil milhões que havia alocado ao Fundo há quatro anos atrás.
Embora seja compreensível que nesta fase difícil de crise financeira, o governo queira repatriar os fundos depositados ilicitamente por angolanos em contas bancárias no estrangeiro, penso que devemos ter mais cuidado e diferenciar as coisas, pós o Fundo Soberano não se enquadra nesta natureza de acções ilícitas. Por isso, não compreendo porque algumas pessoas insistem em atacar inclusive projectos do Fundo Soberano que têm estado a proporcionar resultados positivos, com a criação de vários postos de emprego, e um potencial futuro.
Por vezes, as dificuldades do momento e o fluxo de informações não apuradas nos levam a confundir algumas coisas. Não podemos esquecer que os fundos do Fundo Soberano de Angola depositados em offshore foram feitos de forma legal e estão a ser aplicados de modo transparentes, conforme mostram os relatórios tornados púbicos.
Estamos condenados a não esquecer que temos a obrigação de garantir que as receitas do petróleo e de outros recursos naturais devem servir também para o benefício das gerações vindouras e o Fundo Soberano, é um instrumento que nos permite pensar e investir para o futuro, e criar condições para as futuras gerações.
Neste momento, o Fundo está a investir a longo prazo em projectos que criem empregos e infra-estruturas necessárias para o futuro. Esta informação foi tornada pública através dos seus relatórios financeiros auditados e dá-nos a confiança de que cada kwanza é contabilizado, e acredito que muitos dos seus investimentos serão bons para Angola.
Gostaria de destacar aqui o projecto de construção do Porto de Caio. A província de Cabinda não tem actualmente um porto de águas profundas e sofre de um desenvolvimento industrial e comercial limitado. Graças aos investimentos do Fundo no Porto de Caio, o povo de Cabinda terá uma nova porta de entrada para o comércio mundial. O porto permitirá Cabinda exportar seus valiosos recursos para os mercados mundiais pela primeira vez, e a zona livre anexada ao porto se tornará um catalisador para investimentos de base ampla na província.
O projecto já está em construção e emprega 2.000 pessoas. Quando estiver em pleno funcionamento, só o porto criará 30.000 empregos para o povo de Cabinda. Mas isso é apenas o começo. O efeito multiplicador significará que novas empresas surgirão em torno do porto e da zona franca. As indústrias de manufactura, embalagem, serviços de petróleo e logística criarão um novo centro económico em Cabinda. Esta cadeia industrial precisará de hotéis, restaurantes, aeroportos, empresas de serviços, transportes rodoviários e habitação para apoiar esse novo portal para o comércio. Cabinda poderá também se tornar uma porta de entrada para o comércio com a República Democrática do Congo, que actualmente não possui nenhum porto de águas profundas.
O governo actualmente, não está em condições de desenvolver isolado um projecto da natureza e grandeza do Porto de Caio. As complexidades associadas a edificação e gestão deste ambicioso projecto de alto impacto para o desenvolvimento económico e social do país, requer um parceiro do sector privado. Alias, vários países do mundo já provaram que as parcerias públicas privadas representam hoje um caminho essencial e inquestionável para o desenvolvimento.
Assim sendo, embora eu apoie o repatriamento dos fundos ilícitos depositados no exterior por angolanos corruptos, gostaria de chamar atenção para não se misturar os factos, nem tão pouco corrermos o risco de destruir iniciativas promissoras como os projectos do Fundo Soberano de Angola, actualmente em curso no país. Precisamos que o Fundo continue a fazer parcerias com o sector privado, de modo a investir no futuro de Angola e assim, criar empregos, e oportunidades para as gerações vindouras.

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